Flávio Bolsonaro mira ABC e critica economia de Lula
Senador reúne 80 empresários no ABC e defende corte de gastos como prioridade.
Publicado em 11 de agosto de 2026, 09:12 — Em São Paulo

Em uma ofensiva eleitoral por uma região historicamente associada ao PT em São Paulo, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) reuniu cerca de 80 empresários do ABC paulista nesta sexta-feira (7), em São Caetano do Sul. O encontro, realizado em uma churrascaria e com duração de aproximadamente duas horas, teve como principal eixo críticas à política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reunião ocorreu em um momento em que a economia deve ocupar espaço central na disputa presidencial. Diante de empresários da região, Flávio questionou os rumos das contas públicas, criticou a taxa de juros e afirmou que o país estaria passando por um processo de empobrecimento. O endividamento das famílias também apareceu entre os temas abordados.
A reforma tributária aprovada durante o governo Lula foi outro ponto de destaque. Empresários presentes manifestaram preocupação com possíveis impactos da mudança sobre a atividade econômica no ABC, região marcada pela forte presença industrial. Flávio aproveitou o tema para reforçar seu posicionamento contrário ao texto e lembrou que votou contra a proposta no Senado.
O senador também indicou que uma eventual administração sob seu comando teria como uma das prioridades a redução de gastos públicos. A sinalização reforça uma das linhas que devem fazer parte de seu discurso ao longo da campanha: a defesa de maior controle das despesas do governo como caminho para melhorar o ambiente econômico.
Após a exposição inicial, Flávio respondeu a perguntas dos empresários. O formato permitiu que o candidato apresentasse suas críticas ao governo federal e, ao mesmo tempo, ouvisse preocupações de representantes do setor produtivo da região.
A escolha de São Caetano do Sul tem também um componente político. O ABC paulista é tradicionalmente identificado com o campo petista e possui forte peso simbólico na trajetória política de Lula. Ao levar sua campanha para esse território, Flávio busca ampliar o diálogo com segmentos do eleitorado e do empresariado que podem ser decisivos na disputa.
O candidato foi recebido pelo prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella, e por outros políticos da região. Também participou do encontro Diego Torres, irmão de Michelle Bolsonaro e suplente na chapa da primeira-dama na disputa por uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.
Mais do que uma agenda com empresários, o encontro expõe uma disputa que deverá ganhar força durante a campanha: de um lado, a defesa do governo Lula sobre as medidas econômicas adotadas; de outro, a tentativa da oposição de associá-las a aumento da carga tributária, juros elevados e dificuldades financeiras para famílias e empresas.
O debate, porém, vai além da troca de acusações eleitorais. Em um cenário de pressão sobre famílias, empresas e contas públicas, a questão que permanece para o eleitor é objetiva: qual modelo econômico consegue combinar responsabilidade fiscal, crescimento, geração de empregos e redução das desigualdades sem transferir o custo das escolhas políticas para a população?



