Lula aposta em SUS digital para reduzir desperdícios e ampliar atendimento
Campanha prevê modernização da saúde e cobertura de até 90% pela Saúde da Família.
Publicado em 25 de setembro de 2026, 17:06 — Em São Paulo

Transformar o Sistema Único de Saúde em uma rede mais integrada, tecnológica e capaz de acompanhar de perto como o dinheiro público é utilizado. Essa é uma das principais apostas apresentadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a área da saúde em um eventual novo mandato.
A proposta foi levada a um encontro com representantes da indústria da saúde, em São Paulo, nesta quinta-feira (24.set.2026), por Nilton Pereira Junior, diretor de programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde e representante da candidatura de Lula em um painel que reuniu integrantes das campanhas presidenciais.
No centro da estratégia está o chamado SUS Digital. A ideia é ampliar a informatização dos serviços e utilizar tecnologia não apenas para conectar unidades e profissionais, mas também como ferramenta de gestão, fiscalização e controle dos gastos.
Fazer um grande sistema informatizado no SUS, como nós já estamos fazendo no SUS Digital, é uma prioridade da candidatura do presidente Lula, afirmou Pereira Junior. Segundo ele, a intenção é tornar o sistema “inteligente, robusto, conectado”, com redução do desperdício de recursos públicos.</blockquote>A digitalização, nesse desenho, deixa de ser apenas uma modernização administrativa e passa a ocupar espaço estratégico na gestão da saúde. A expectativa apresentada pela campanha é que sistemas mais integrados permitam acompanhar melhor a aplicação dos recursos e identificar falhas ou desperdícios com maior rapidez.
Mas a proposta não se limita à tecnologia.
Atenção básica no centro da estratégia</b>
Outro eixo apresentado pela candidatura é a expansão da atenção primária. Segundo Pereira Junior, o orçamento federal destinado à área cresceu 70% entre 2023 e 2026 na comparação com o valor de 2022.
A meta anunciada é ampliar a cobertura das equipes de Saúde da Família para alcançar entre 80% e 90% da população brasileira, aproximando o atendimento básico da rotina das comunidades.
A lógica é conhecida: quanto mais estruturada estiver a porta de entrada do sistema, maior tende a ser a capacidade de prevenção, acompanhamento de doenças e encaminhamento adequado dos pacientes dentro da rede.</u>
A campanha também cita iniciativas de prevenção, como o Saúde na Escola, como parte dessa estratégia de fortalecimento da atenção básica.
Tecnologia resolve tudo?
É justamente nesse ponto que a proposta abre espaço para uma discussão que ultrapassa a campanha eleitoral.
Digitalizar o SUS pode significar mais integração de dados, maior capacidade de fiscalização e ferramentas mais eficientes para gestores. Mas a tecnologia, por si só, não elimina problemas históricos da saúde pública, como filas, desigualdade regional, falta de profissionais, infraestrutura insuficiente e dificuldades de gestão.</b>
A questão central, portanto, não é apenas quanto o sistema será digitalizado, mas como essa tecnologia será transformada em atendimento concreto para quem depende do SUS.
A promessa de um sistema “inteligente, robusto e conectado” coloca uma pergunta importante para o debate eleitoral: quais resultados deverão ser cobrados, quais recursos serão necessários e como medir se a modernização realmente chegou ao cidadão?</u>
Com a saúde novamente no centro da agenda política, mais do que discutir slogans, o desafio é colocar propostas, metas, custos e mecanismos de fiscalização lado a lado. É desse confronto de ideias e da capacidade de cobrar resultados que o eleitor poderá avaliar os diferentes projetos apresentados para o futuro do SUS.




