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Perseguição política em São Paulo: Deputado pede investigação sobre boicotes a apoiadores de Lula

Emídio de Souza acionou o Ministério Público, entidades empresariais e o Conselho Regional de Medicina após denúncias de listas de boicote, ameaças de demissão e discriminação contra eleitores do presidente.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 3 de novembro de 2026, 11:50 — Em São Paulo

3 min de leitura
Perseguição política em São Paulo: Deputado pede investigação sobre boicotes a apoiadores de Lula
Perseguição política em São Paulo: Deputado pede investigação sobre boicotes a apoiadores de LulaFoto: Rodrigo Costa/ALESP

A discriminação motivada por posicionamentos políticos entrou na pauta de órgãos e entidades de São Paulo após uma série de denúncias envolvendo apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado estadual Emídio de Souza (PT) encaminhou ofícios ao Ministério Público de São Paulo e a diferentes instituições solicitando a apuração de possíveis casos de perseguição política, boicote comercial e discriminação profissional.

Um dos principais pontos do pedido é esclarecer se agentes públicos tiveram participação nos episódios denunciados, que incluem a divulgação de listas com nomes de comerciantes e profissionais identificados como simpatizantes do Partido dos Trabalhadores.

Segundo as denúncias apresentadas pelo parlamentar, essas listas teriam sido utilizadas para incentivar boicotes contra pessoas em razão de suas preferências políticas. As ocorrências mencionadas envolvem os municípios de Tanabi, São José do Rio Preto, Mirassol, Votuporanga e Pirassununga, no interior paulista.

Deputado cobra posicionamento de entidades empresariais

Além de solicitar providências ao Ministério Público, Emídio de Souza encaminhou ofícios a representantes de duas importantes entidades do setor empresarial paulista.

Foram acionados Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e Ivo Dall’Acqua Júnior, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo.

O parlamentar pretende que as instituições se posicionem diante de denúncias envolvendo ameaças de demissão, desligamentos motivados por preferências políticas e recusas de contratação de trabalhadores em razão de suas convicções eleitorais.

A preocupação envolve possíveis situações em que a escolha política de uma pessoa passe a interferir diretamente em suas oportunidades profissionais e comerciais.

São Paulo lidera denúncias de assédio eleitoral

Os números do Ministério Público do Trabalho também chamam a atenção para a dimensão do problema.

De acordo com dados do órgão, até 29 de outubro, foram registradas 3.396 denúncias de assédio eleitoral em todo o Brasil. Desse total, 620 ocorreram no estado de São Paulo, que aparece na primeira posição do levantamento nacional.

O cenário reforça a preocupação com denúncias de interferência de preferências políticas nas relações de trabalho, especialmente quando envolvem ameaças, constrangimentos e possíveis prejuízos profissionais.

Médico publica ataque a eleitores de Lula e caso chega ao Cremesp

Outro episódio que motivou a atuação de Emídio de Souza envolve o cardiologista Clederson Henry Dina, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O profissional publicou em seu perfil no Instagram uma declaração direcionada a pessoas que apoiam o presidente Lula. Na postagem, escreveu: “Não atendo petistas vagabundos”.

Na mesma publicação, o médico afirmou possuir “recursos” para recusar pacientes, mas não explicou de que maneira identificaria a orientação política das pessoas que procurassem atendimento.

Diante da manifestação, Emídio também solicitou providências ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

Hospital Albert Einstein repudia discriminação

Após a repercussão da publicação, o Hospital Israelita Albert Einstein divulgou uma nota oficial condenando qualquer forma de discriminação.

A instituição esclareceu que a declaração feita pelo profissional não representa o posicionamento do hospital e informou que o episódio está sendo submetido a uma análise interna.

Denúncias ampliam debate sobre discriminação política

Os episódios apresentados pelo deputado colocam em discussão os possíveis impactos da polarização política nas relações sociais, comerciais e profissionais.

A divulgação de listas para incentivar boicotes, as denúncias de ameaças de demissão e as possíveis recusas de contratação por convicções eleitorais levantam questionamentos sobre os limites da discriminação motivada por posicionamentos políticos.

Os pedidos encaminhados por Emídio de Souza buscam esclarecer as circunstâncias dos casos e verificar eventuais responsabilidades. Até o momento, as informações disponíveis não apresentam conclusões das investigações nem responsabilizações decorrentes dos episódios.

O caso também chama a atenção para a repercussão de manifestações políticas no exercício de atividades profissionais, especialmente quando envolvem serviços essenciais, como o atendimento médico.

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