PIRACICABA

PiraMUN realiza primeira simulação para estudantes do Ensino Médio de Piracicaba e região

Evento inspirado no funcionamento das Nações Unidas acontece de 9 a 12 de outubro.

NY
Nicolle Yaeko

Publicado em 26 de agosto de 2026, 15:06 — Em Piracicaba

4 min de leitura
PiraMUN realiza primeira simulação para estudantes do Ensino Médio de Piracicaba e região
PiraMUN realiza primeira simulação para estudantes do Ensino Médio de Piracicaba e região

E se estudantes pudessem, por um final de semana, assumir o papel de diplomatas e representar países diante dos grandes desafios do mundo? É essa experiência que alunos do Colégio CLQ vivenciam no ClubMUN, clube estudantil que participa de simulações inspiradas no funcionamento das Nações Unidas realizadas em instituições como Harvard, Yale, FACAMP e SENAC. E agora, promovem a PiraMUN, a primeira simulação aberta a estudantes do Ensino Médio de Piracicaba e região, que acontecerá no Campus do CLQ Reserva Jequitibá, de 09 a 12 de outubro e está com as inscrições abertas.

Nas simulações, os estudantes defendem posições, apresentam propostas, negociam e buscam soluções para questões globais. A experiência acumulada pelo grupo ClubMUN será levada à PIRAMUN, que terá quatro comitês de debate e um comitê de imprensa, responsável por registrar os acontecimentos e produzir um jornal, ampliando a imersão dos participantes.

Mais do que uma atividade escolar, a PiraMUN transforma a sala de aula em um espaço de diplomacia, desenvolvendo comunicação, argumentação, liderança, pensamento crítico, negociação e resolução de problemas. Para alguns estudantes, a experiência também desperta vocações e muda a forma de enxergar o mundo.

André Grotta Balarin Silva, 17, descobriu nas simulações seu interesse por Ciências Políticas e política migratória após participar de seu primeiro evento em Harvard e trouxe a ideia da criação do ClubMun. Para ele, a experiência ajudou a relacionar decisões internacionais à vida das pessoas.

Muitas vezes a gente olha o micro e olha o macro separadamente, mas não relaciona os dois.

André afirma que a experiência se tornou uma possível escolha de vida:

Para mim, simulação foi uma compreensão do que eu tenho que fazer, qual é o meu propósito de vida.

Enrico Gaiotto Melare, 15, interessado em neurotecnologia e biotecnologia, encontrou nas simulações uma habilidade que desconhecia:

O clube desenvolveu uma parte de mim que eu não sabia que tinha. Desenvolveu um novo Enrico.

A experiência não se limita às áreas de Humanidades. Oratória, pesquisa, negociação, escuta, pensamento crítico e capacidade de trabalhar sob pressão são competências que podem ser levadas para diferentes profissões.

Para Sofia Brancalião Trevisan, 15, interessada em Psicologia, o principal aprendizado está em compreender posições diferentes e construir soluções coletivas:

Você consegue mudar a sua própria perspectiva de mundo, que às vezes é uma coisa difícil de fazer.

A transformação também aparece na autoestima. Um dos participantes conta que experiências de bullying fizeram com que acreditasse que sua voz tinha pouca força, mas os debates mostraram o contrário:

As simulações me fizeram entender muito da minha voz e como ela tem força.

Para Helena Bonetti Valério, 16, a mudança foi ainda mais profunda:

Elas foram uma fronteira entre a Helena antiga e a Helena nova.

Do mundo para a sala de aula

Durante a PiraMUN, os estudantes entrarão em contato com temas como economia, conflitos internacionais, questões humanitárias, segurança pública e sistema prisional. No Conselho de Segurança da ONU, vivenciam o poder de veto e os conflitos entre interesses nacionais. Em outros comitês, discutem o conflito Israel-Palestina, a realidade de crianças e adolescentes na Cisjordânia e questões sociais brasileiras.

No comitê de imprensa, os participantes acompanham os debates, entrevistam estudantes e transformam as discussões em conteúdo jornalístico. Em outro comitê, ambientado em 1350, os jovens precisam lidar com diferentes níveis de poder e direito de participação, refletindo sobre quem pode decidir e quem fica de fora das decisões.

Mais do que uma simulação

As experiências mostram que uma atividade escolar pode despertar vocações, fortalecer a autoestima e ensinar habilidades que ultrapassam a sala de aula. Ao negociar, ouvir opiniões contrárias e buscar acordos, os estudantes aprendem que participar da vida pública não significa apenas falar, mas também ouvir, pesquisar, questionar, discordar e construir pontes.

Se experiências como essas são capazes de ampliar o conhecimento, despertar interesses profissionais e ensinar jovens a conviver com opiniões diferentes, fica uma reflexão: por que ainda são tratadas apenas como atividades complementares?

Talvez a educação do futuro precise ir além da preparação para provas e profissões. Talvez também precise preparar jovens para ocupar o mundo; aprendendo não apenas respostas, mas a fazer perguntas, defender suas ideias, ouvir as do outro e participar das decisões que definirão o futuro de todos.

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