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Quaest mostra eleição apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

Pesquisa revela receios distintos no maior colégio eleitoral do país.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 24 de setembro de 2026, 11:40 — Em São Paulo

3 min de leitura
Quaest mostra eleição apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro
Quaest mostra eleição apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro

A corrida presidencial ganhou um novo componente no maior colégio eleitoral do país: o medo. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (23) mostra que, entre os eleitores de São Paulo, 45% afirmam temer mais um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 39% dizem ter mais receio de um eventual retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Outros 8% afirmam temer os dois cenários, 3% não temem nenhum deles e 5% não souberam ou não responderam.

O resultado ajuda a dimensionar o ambiente de forte polarização que envolve a eleição de 2026. Mais do que apontar apenas uma preferência eleitoral, os números revelam que uma parcela expressiva do eleitorado paulista encara a disputa também a partir da rejeição ou do receio em relação aos principais projetos políticos colocados em confronto.</u>

Flávio aparece à frente, mas empate permanece

No cenário de primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente na liderança em São Paulo, com 34% das intenções de voto. Lula registra 31%. Na rodada anterior, divulgada em 8 de setembro, os dois tinham 31% e 30%, respectivamente.

A diferença atual, entretanto, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Portanto, os dois permanecem tecnicamente empatados no estado. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão), 3%, e Romeu Zema (Novo), 1%. Entre os entrevistados, 11% estão indecisos e 9% afirmam votar em branco, anular ou não comparecer.

O cenário muda numericamente em uma eventual segunda etapa da eleição. Na simulação entre Lula e Flávio, o senador aparece com 42%, enquanto o presidente soma 36%. Na pesquisa anterior, os índices eram de 41% e 33%, respectivamente.

Ainda assim, os números de uma pesquisa não representam uma previsão do resultado das urnas. Eles retratam as preferências dos entrevistados no período em que o levantamento foi realizado e podem mudar até a votação.

Um eleitorado entre preferência e rejeição

Outro dado ajuda a compreender a intensidade do momento eleitoral: 80% dos entrevistados afirmaram que sua escolha já é definitiva, enquanto 20% disseram que ainda podem mudar de opinião até a eleição. Na rodada anterior, esses índices eram de 74% e 26%.

A pesquisa foi realizada presencialmente entre 19 e 22 de setembro, com 1.800 eleitores de São Paulo com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.</b>

Os números colocam São Paulo novamente no centro da disputa presidencial, mas também deixam uma questão que ultrapassa os percentuais: o que leva parte do eleitorado a escolher um projeto político principalmente pelo receio de ver o outro vencer?

À medida que a eleição se aproxima, o desafio do debate público será separar medo, rejeição, expectativas e propostas concretas. Afinal, se a polarização ajuda a explicar o comportamento de uma parcela significativa dos eleitores, a decisão diante das urnas envolve também avaliar o que cada candidatura pretende fazer e quais consequências suas propostas podem produzir para o país.

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