Assédio eleitoral cresce no trabalho e SP lidera processos
Quando o trabalho ameaça a liberdade do voto.
Publicado em 18 de setembro de 2026, 10:12 — Em São Paulo

O ambiente de trabalho, que deveria ser espaço de convivência profissional e respeito às escolhas individuais, também tem sido palco de disputas políticas. Um levantamento do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), órgão ligado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), aponta que São Paulo concentra o maior número de processos relacionados a assédio eleitoral no trabalho no país.
Entre maio de 2023 e dezembro de 2025, foram identificados 694 processos sobre o tema. Desse total, 129 tramitam nos dois Tribunais Regionais do Trabalho de São Paulo. Na sequência aparecem Paraná, com 109 ações, e Rio Grande do Sul, que contabiliza 77 processos.</b>
Os números revelam que a tentativa de interferir na escolha política de trabalhadores pode assumir diferentes formatos. Em boa parte dos casos, a pressão está diretamente relacionada à condição econômica do empregado: 61,7% dos processos analisados apresentam esse tipo de ocorrência.
As situações relatadas incluem ameaças de redução salarial, perda de função ou outras consequências profissionais para quem não demonstra alinhamento político. Em sentido oposto, também há registros de ofertas de prêmios, benefícios ou vantagens para trabalhadores dispostos a apoiar determinado candidato ou grupo político.</u>
A dimensão psicológica aparece de maneira ainda mais expressiva. Segundo o levantamento, 81,9% dos processos envolvem algum tipo de terror psicológico. A pressão também migrou para o ambiente digital: práticas virtuais foram identificadas em 67,4% dos casos.
Nesse cenário, aplicativos de comunicação passaram a ocupar papel central. O WhatsApp, por exemplo, é apontado como uma das ferramentas utilizadas para disseminar propaganda política, cobrar posicionamentos e até acompanhar a atuação dos funcionários nas redes sociais.
Entre as práticas identificadas estão a criação de grupos de mensagens voltados à campanha eleitoral, o envio obrigatório de conteúdos políticos, pedidos ou exigências para que empregados manifestem publicamente apoio a candidatos e o monitoramento de perfis pessoais nas redes sociais.
A preocupação ganhou ainda mais relevância com a aproximação das eleições de 2026. O levantamento faz parte da campanha “No meu voto mando eu”, promovida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo TST e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a prática e estimular denúncias.</b>
Para a Justiça do Trabalho, o assédio eleitoral ocorre quando o poder ou a relação estabelecida no ambiente profissional é utilizado para constranger, ameaçar ou pressionar alguém a votar ou se posicionar politicamente de determinada maneira.
Mais do que uma disputa entre opiniões, o fenômeno coloca em discussão os limites da autoridade dentro das relações de trabalho. Afinal, até onde pode ir a manifestação política de um empregador sem se transformar em pressão sobre o empregado? E como diferenciar uma opinião legítima de uma tentativa de usar o poder econômico ou hierárquico para interferir no voto?</i></u>
Com a campanha eleitoral de 2026 em curso, o debate ganha espaço: o local de trabalho deve ser tratado como território livre para manifestações políticas ou existem limites que precisam ser rigorosamente respeitados para garantir que o voto continue sendo uma escolha verdadeiramente individual?




