Cezinha de Madureira é alvo da Polícia Federal em operação autorizada pelo STF
Deputado federal do PL-SP é investigado por suposto tráfico de influência e possível negociação de valores para interferir em decisões judiciais.
Publicado em 14 de setembro de 2026, 12:24 — Em São Paulo

A Polícia Federal deflagrou hoje, segunda-feira dia 14, uma operação que tem entre os principais alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). A ação investiga um grupo suspeito de negociar valores em troca de uma suposta influência sobre decisões e processos em tribunais superiores.
Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços localizados em São Paulo e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria da investigação.
Segundo as apurações, integrantes do grupo teriam procurado terceiros para negociar pagamentos condicionados ao resultado de processos judiciais. A suspeita é de que os envolvidos afirmavam ter condições de interferir no andamento ou no resultado das decisões.
A Polícia Federal, no entanto, ressalta que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário no suposto esquema.
Investigação começou com apuração sobre emendas
A apuração teve início em dezembro de 2025, inicialmente voltada a possíveis irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares. Durante o avanço das investigações, os policiais identificaram elementos que deram origem a uma nova frente de apuração, desta vez relacionada à possível negociação de influência em processos judiciais.
Entre as suspeitas investigadas estão os crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Não há informação, até o momento, de que a operação desta segunda-feira tenha determinado prisões. As medidas realizadas são de busca e apreensão.
Relações com André Mendonça e caso Banco Master
Cezinha de Madureira também aparece nas apurações relacionadas ao Banco Master. Segundo os relatos reunidos nas investigações, o parlamentar teria atuado como intermediário em um encontro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF André Mendonça.
O deputado é apontado ainda como uma das pessoas próximas a Mendonça e, ao mesmo tempo, mantém relação com o advogado Daniel Bialski, que passou a integrar a defesa de Vorcaro em agosto de 2026.
Interlocutores ligados ao banqueiro afirmam que Cezinha teria defendido o nome de Bialski para atuar na defesa da família Vorcaro. A investigação também aponta que o deputado teria intermediado um encontro direto entre Vorcaro e Mendonça.
Ligação política com Tarcísio
A trajetória política de Cezinha também inclui uma relação próxima com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nas eleições de 2022, a campanha de Tarcísio foi a segunda maior doadora da candidatura de Cezinha à Câmara dos Deputados. Naquele ano, a conta da campanha do então candidato ao governo paulista destinou R$399 mil à campanha do parlamentar.
O valor correspondeu a cerca de 24% das doações recebidas por Cezinha naquele pleito. O maior repasse veio do diretório nacional do partido, que destinou R$1 milhão à candidatura.
Naquele período, Cezinha era um importante aliado político de Tarcísio. Antes de ingressar no PL, o deputado era filiado ao PSD, partido comandado em São Paulo por Gilberto Kassab.
De pastor a deputado federal
Cezinha de Madureira foi ordenado pastor em 2012 pela Assembleia de Deus Ministério Madureira, a AD Brás. Quando disputou sua primeira eleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo, em 2014, era apresentado publicamente como “Pastor Cezinha”.
Sua atuação religiosa é ligada ao bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças do Ministério de Madureira em São Paulo e que atualmente é candidato à Assembleia Legislativa paulista.
Na Câmara dos Deputados, Cezinha aparece atualmente registrado profissionalmente como jornalista.
Investigação segue em andamento
A operação desta segunda-feira faz parte da terceira fase da Operação Transparência. As buscas autorizadas pelo STF têm como objetivo reunir novos elementos para esclarecer a possível atuação do grupo e verificar se houve negociação de valores ou intermediação de interesses junto a tribunais superiores.
Até o momento, as suspeitas investigadas pela Polícia Federal não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos alvos. O caso continua sob investigação.




