Flávio Bolsonaro acusa Moraes de agir por Lula e promete reação no Senado
Flávio eleva o tom contra Moraes e transforma atuação do STF em novo embate eleitoral.
Publicado em 12 de agosto de 2026, 15:18 — Em São Paulo

A disputa eleitoral de 2026 ganhou mais um capítulo de tensão entre o bolsonarismo e o Supremo Tribunal Federal (STF). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, acusou o ministro Alexandre de Moraes de exercer influência política em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na corrida eleitoral.
A declaração foi feita nesta terça-feira (11/8), durante uma conversa com jornalistas, antes de uma reunião do senador com candidatos ao Senado que integram seu grupo político.
Diante dos postulantes, Flávio questionou se, caso eleitos, eles apoiariam um eventual processo de impeachment contra Moraes. A resposta foi unânime: todos disseram que “sim”.
Na sequência, o senador intensificou as críticas ao ministro e afirmou que Moraes teria assumido um papel de articulação política.
“Eu lamento. Você vê que Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos”, declarou.
Flávio acrescentou que, na avaliação dele, ao participar de encontros com integrantes da classe política, o ministro teria ultrapassado os limites da atuação estritamente institucional do Judiciário.
“Mas o Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também”, afirmou.
A referência feita pelo senador diz respeito a um jantar realizado na residência de Alexandre de Moraes, que reuniu Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na semana passada.
O encontro ocorreu depois de quase três meses de distanciamento entre Lula e Alcolumbre. A relação havia sido desgastada após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo.
O ministro Cristiano Zanin também participou do jantar.
Embora encontros entre autoridades dos diferentes Poderes façam parte da dinâmica institucional de Brasília, a reunião passou a ser explorada politicamente pelo campo bolsonarista, que vê no episódio um possível sinal de aproximação entre integrantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Flávio, por sua vez, transformou o episódio em argumento político diante de seus aliados e voltou a defender que o Senado tenha uma postura mais contundente em relação aos ministros do STF.
Além da agenda com candidatos ao Senado, Flávio Bolsonaro tem concentrado esforços na organização da campanha presidencial. Nesta terça-feira, ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), que também disputa uma vaga no Senado, gravam o primeiro vídeo destinado ao horário eleitoral de 2026.
A gravação também representa um momento simbólico dentro do núcleo político da família Bolsonaro. Será o primeiro encontro presencial entre os dois desde a crise provocada por declarações de Michelle nas quais afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado.
Apesar da agenda conjunta para a gravação, não há, até o momento, previsão de que Michelle participe das reuniões realizadas por Flávio com os demais candidatos ao Senado.
A declaração de Flávio Bolsonaro coloca novamente no centro da campanha eleitoral uma discussão que ultrapassa a disputa entre candidatos: qual deve ser o limite da atuação pública de ministros do Supremo quando eles mantêm contato com autoridades políticas?
De um lado, encontros institucionais entre representantes dos Poderes podem ser vistos como parte natural do funcionamento da democracia e da busca por diálogo entre instituições. De outro, quando essas reuniões envolvem figuras diretamente interessadas nas disputas políticas do país, é legítimo que a sociedade questione a transparência, a finalidade e os limites desses contatos.
O debate, portanto, não deveria se resumir à preferência por Lula, Bolsonaro ou qualquer outro candidato. A questão central é mais ampla: como preservar a independência entre os Poderes e, ao mesmo tempo, garantir que o diálogo institucional não seja confundido com interferência política?



