Foto de Ana Castela com Nikolas Ferreira expõe bastidores de show de R$850 mil pagos com verba federal
Enquanto a "Boiadeira" ganha seguidores e perde o apoio de artistas por gesto político, contratação de show em pequeno município com emenda do PL vira alvo de debate.
Publicado em 26 de agosto de 2026, 14:41 — Em São Paulo

Uma foto de bastidores na Festa do Peão de Barretos, no último domingo, dia 23, colocou a cantora Ana Castela no centro de um intenso debate que mistura música, política e o uso de recursos públicos. O registro ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), onde ambos aparecem sorrindo e fazendo o sinal de "22" com as mãos em clara referência ao número do Partido Liberal, desencadeou uma onda de reações imediatas nas redes sociais, evidenciando a forte polarização que cerca a imagem da "Boiadeira".
O termômetro das redes: ganho de seguidores e debandada de artistas
O impacto do posicionamento político foi instantâneo. Em apenas 24 horas após a publicação da imagem, compartilhada pelo próprio parlamentar, o perfil de Ana Castela no Instagram registrou um salto significativo, passando de 24,7 milhões para 24,8 milhões de seguidores.
No entanto, o aceno ao eleitorado conservador também cobrou seu preço no meio artístico. Nomes de peso e com forte apelo digital, como a atriz Luana Piovani e a cantora Pabllo Vittar, deixaram de seguir a sertaneja na plataforma logo após a repercussão do clique.
“O IMPACTO NAS REDES:* **+ 100 mil seguidores** em apenas 24 horas (de 24,7 mi para 24,8 mi). * **Ruptura no meio artístico:** Luana Piovani e Pabllo Vittar deram *unfollow* na cantora.”
Show de R$850 mil no Norte Fluminense sob a lupa das emendas parlamentares
Para além da guerra de narrativas nas redes sociais, o gesto político de Ana Castela ganha contornos mais complexos quando analisado sob a ótica dos bastidores financeiros de sua agenda. Amanhã, quinta-feira dia 27, a cantora será a principal atração da Expo São Fidélis, festa do padroeiro do município de mesmo nome, localizado no Norte Fluminense.
A prefeitura local, atualmente administrada pelo PL, contratou o show da artista pelo valor de R$850 mil. O montante será integralmente custeado com verbas federais, viabilizadas por meio de uma emenda parlamentar de R$1 milhão destinada pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados. A autoria do repasse é da Deputada Federal Dani Cunha (PL-RJ).
Dani é filha do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), que atualmente tenta retornar ao Congresso Nacional por Minas Gerais. O cenário de repasses parlamentares para eventos festivos ocorre em um momento de forte escrutínio do Judiciário sobre o tema. Em julho deste ano, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$6,1 milhões de Eduardo Cunha e de R$119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, sob suspeita de irregularidades e desvios no uso de emendas parlamentares.
“OS BASTIDORES FINANCEIROS:* **Cachê:** R$850 mil pagos com verba federal. * **Origem do recurso:** Emenda parlamentar de R$1 milhão da deputada Dani Cunha (PL). * **Contexto político:** Dani Cunha é filha de Eduardo Cunha, que teve R$6,1 milhões bloqueados pelo STF em julho por suspeita de desvio de emendas.”
Proporção do evento e justificativa da prefeitura
A dimensão do investimento em São Fidélis também chama a atenção pelos números de público estimados. De acordo com os documentos enviados pela administração municipal ao Ministério do Turismo, a Expo São Fidélis registra um público médio modesto, de cerca de 2 mil pessoas por dia. Para a apresentação de Ana Castela, a expectativa oficial é que o público dobre, chegando a 4 mil espectadores, um contingente ainda considerado pequeno para o padrão de cachês desta magnitude no mercado do showbizz nacional.
Alvo de críticas locais desde o anúncio do show, ainda em abril, a prefeitura de São Fidélis defendeu a contratação. Em nota oficial, o Executivo municipal alegou que os recursos são provenientes do programa federal "Turismo com Música" e possuem destinação carimbada, ou seja, "não poderiam ser utilizados para outras finalidades", como saúde ou educação.
Crédito Foto: Reprodução/Redes Sociais



