Lula prepara última cartada na reta final da eleição
The Economist aponta obstáculos para o petista; pesquisas indicam disputa acirrada a três dias do segundo turno.
Publicado em 23 de outubro de 2026, 10:11 — Em São Paulo

A três dias da decisão presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta o desafio de reverter a vantagem conquistada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Em reportagem publicada na quarta-feira (21.out.2026), a revista britânica The Economist questionou se o petista ainda dispõe de uma “última carta na manga” para vencer a disputa, considerada uma das mais acirradas desde a redemocratização.
O resultado de 4 de outubro impôs um cenário desfavorável ao presidente. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A publicação destaca ainda um precedente histórico: desde a Constituição de 1988, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu reverter a posição e vencer a eleição presidencial no segundo.
Diante desse quadro, Lula intensificou a ofensiva para conquistar eleitores indecisos e ampliar seu apoio. Entre as iniciativas citadas pela revista estão a defesa da redução da maioridade penal para crimes graves, a articulação pelo fim da escala de trabalho 6x1, o perdão de dívidas de pequenos negócios e a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. O reajuste do Bolsa Família e a proibição das apostas esportivas e dos cassinos on-line também integram o conjunto de medidas mencionado na reportagem.
A estratégia, porém, enfrenta uma questão central: até que ponto essas propostas podem alterar a decisão de quem ainda não definiu o voto ou pretende mudar de candidato? Para a Economist, embora os levantamentos apontem sinais de uma disputa equilibrada, há motivos para cautela. A revista lembra que pesquisas anteriores ao primeiro turno não captaram com precisão o desempenho de Flávio nas urnas, o que torna incerto o alcance dos levantamentos atuais.
Pesquisas mantêm disputa aberta
Os números mais recentes reforçam o cenário de equilíbrio. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro apontou empate entre os candidatos nos votos válidos, com 50% para cada um. No total de intenções de voto, Flávio registrou 47%, ante 46% de Lula, segundo o levantamento realizado entre os dias 20 e 22, com 2.520 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais. Os resultados indicam que a vantagem do senador não elimina a possibilidade de uma virada.
A campanha de Flávio também tem reagido às iniciativas do adversário. Segundo a reportagem repercutida pela imprensa brasileira, o senador passou a apoiar a redução da jornada de trabalho, apesar de críticas anteriores à proposta. O movimento evidencia como temas com impacto direto na rotina e no orçamento das famílias ganharam espaço na reta final da disputa.
Além das propostas, a Economist chama atenção para a atuação das campanhas no ambiente digital. A publicação compara os investimentos em impulsionamento de conteúdo na internet e aponta uma vantagem financeira da equipe de Flávio nesse campo. A disputa, portanto, não se limita à agenda de governo: envolve também a capacidade de comunicação, mobilização e convencimento do eleitorado.
Com a votação marcada para domingo (25.out), Lula precisa transformar as medidas anunciadas em votos suficientes para superar a diferença do primeiro turno. Flávio, por sua vez, tenta preservar a dianteira e consolidar o apoio de eleitores de direita que votaram em candidatos eliminados na primeira etapa.
O que está em jogo vai além de uma possível virada eleitoral. O confronto também coloca em debate a eficácia das políticas sociais, o peso das propostas econômicas, a segurança pública e as condições de trabalho na escolha presidencial. As medidas anunciadas por Lula serão vistas pelo eleitor como respostas concretas a problemas cotidianos ou como movimentos de campanha às vésperas da votação?
E, diante de pesquisas apertadas e de um eleitorado dividido, qual fator deverá pesar mais na decisão final: a avaliação do governo, as propostas dos candidatos, a rejeição aos adversários ou a confiança na capacidade de governar? A resposta será dada nas urnas e o debate público sobre as prioridades do país continuará depois da eleição.




