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Política · Canal Estado SP

Pé-de-Meia terá nova etapa e ampliação de benefícios no ensino médio em 2027

Programa prevê bolsas mensais de R$ 700 para estudantes de baixa renda no ensino superior e mudanças nas regras de acesso ao incentivo escolar.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 5 de novembro de 2026, 13:50 — Em São Paulo

3 min de leitura
Pé-de-Meia terá nova etapa e ampliação de benefícios no ensino médio em 2027
Pé-de-Meia terá nova etapa e ampliação de benefícios no ensino médio em 2027

O acesso e a permanência na educação pública devem ganhar novos incentivos a partir de 2027. O Ministério da Educação (MEC) prevê a implementação do Pé-de-Meia Universitário, uma nova modalidade de apoio financeiro destinada a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas e participantes do Programa Universidade para Todos (Prouni). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (4) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini.

A proposta busca enfrentar um dos principais obstáculos à formação acadêmica no Brasil: a dificuldade financeira que leva muitos jovens a abandonar a graduação antes de conquistar o diploma. Pelo modelo apresentado, os universitários inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) poderão receber uma bolsa mensal de R$ 700 durante dez meses do ano letivo, além de R$ 250 mensais depositados em uma poupança.

Ao final de quatro anos de graduação, o estudante poderá resgatar R$ 10 mil acumulados, com correção inflacionária, desde que cumpra os critérios estabelecidos pelo programa. A iniciativa pretende oferecer condições para que jovens de famílias de baixa renda concluam a formação superior e tenham algum suporte financeiro no início da vida profissional.

Incentivo começa antes da universidade

As mudanças também alcançam a educação básica. A partir de março de 2027, a previsão anunciada é ampliar o acesso ao Pé-de-Meia para estudantes do ensino médio da rede pública, deixando de restringir o benefício aos jovens inscritos no CadÚnico.

Atualmente, o programa funciona como uma espécie de poupança educacional criada pelo governo federal para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio. Os pagamentos estão condicionados à frequência escolar e ao cumprimento das exigências previstas, funcionando como um incentivo para que adolescentes não abandonem os estudos diante das dificuldades econômicas e sociais.

O modelo prevê parcelas mensais de R$ 200, além de um incentivo de R$ 3 mil pela conclusão das três séries do ensino médio, condicionado ao cumprimento dos requisitos do programa e à participação no Enem, conforme as regras aplicáveis.

Dados apresentados sobre a iniciativa apontam uma redução de 61% no abandono escolar entre os estudantes alcançados pelo programa. O resultado reforça a importância de políticas públicas que considerem a realidade financeira das famílias como um fator diretamente relacionado à permanência dos jovens na escola.

Educação como investimento social

Com a previsão de expansão para o ensino superior, o Pé-de-Meia passa a contemplar diferentes etapas da trajetória educacional, desde a permanência no ensino médio até a conclusão de uma graduação. A proposta reconhece que garantir o acesso à universidade não é suficiente quando milhares de estudantes ainda enfrentam dificuldades para custear transporte, alimentação, moradia e materiais acadêmicos.

Entretanto, a ampliação dos benefícios também coloca em discussão a capacidade de financiamento, a abrangência dos critérios de seleção e a continuidade da política pública ao longo dos próximos anos.

Mais do que oferecer auxílio financeiro, programas dessa natureza precisam contribuir para reduzir desigualdades históricas e transformar a educação em uma possibilidade concreta de mobilidade social. Afinal, de que adianta ampliar o número de vagas nas universidades se parte dos estudantes não consegue permanecer nelas por falta de condições econômicas?

O desafio será fazer com que o incentivo chegue a quem realmente precisa, tenha continuidade e produza resultados duradouros. Educação não deve ser privilégio de quem pode pagar pela própria formação, mas um direito acompanhado de condições reais para ser exercido.

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