Pesquisa Datafolha Lula x Flávio Bolsonaro: empate técnico no segundo turno acirra disputa
Levantamento aponta cenário indefinido a duas semanas da eleição e detalha a corrida presidencial nos três maiores colégios eleitorais do país.
Publicado em 14 de setembro de 2026, 15:50 — Em São Paulo

A exatos quatorze dias da ida às urnas, o cenário sucessório presidencial brasileiro desenha-se sob a marca da indefinição e de uma acentuada divisão geográfica no Sudeste, região que concentra os três maiores colégios eleitorais do país. A mais recente rodada de pesquisas do instituto Datafolha, divulgada no último final de semana, projeta um cenário de empate técnico absoluto em um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Embora o atual mandatário sustente a liderança na simulação de primeiro turno com 39% das intenções de voto contra 35% do parlamentar fluminense, a simulação de embate direto na etapa final aponta 46% para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro. Com a margem de erro nacional fixada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, os números indicam uma paridade que transfere a decisão para a capacidade de mobilização das campanhas nesta quinzena derradeira.
O mapa de forças no Sudeste
A análise detalhada dos dados estaduais evidencia que a disputa se resolve, prioritariamente, nas particularidades locais de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o cenário permanece cristalizado. Flávio Bolsonaro mantém a liderança com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 42% de Lula. A estabilidade é a tônica do eleitorado paulista: os índices são idênticos aos registrados no levantamento anterior, realizado em agosto, indicando que as campanhas operam em terreno de alta fidelidade partidária e pouca permeabilidade a fatos novos recentes. No estado, o percentual de votos brancos, nulos ou de nenhum candidato oscilou de 9% para 10%, enquanto a parcela de indecisos permaneceu em 1%.
No Rio de Janeiro, o candidato do PL registra sua vantagem mais confortável. Flávio lidera com 49% contra 41% do petista. Houve uma oscilação marginal na diferença entre ambos, que recuou de nove para oito pontos percentuais devido ao recuo no índice de votos brancos e nulos (que passou de 10% para 8%), enquanto os indecisos oscilaram de 1% para 2%, sugerindo que o eleitor fluminense que antes se omitia começa a tomar partido na reta final.
Minas Gerais como o fiel da balança
Se o Rio e São Paulo dão tração à candidatura de oposição, Minas Gerais confirma sua histórica condição de termômetro da eleição nacional. O estado é o único do trio onde Lula aparece numericamente na frente, com 46% contra 45% de Flávio Bolsonaro.
O dado acende o sinal de alerta no comitê de campanha petista: a vantagem de Lula, que era de quatro pontos em agosto (quando o placar era de 46% a 42%), encolheu para apenas um ponto, após um crescimento de três pontos percentuais do senador do PL. Em solo mineiro, o percentual de eleitores que optam por branco, nulo ou nenhum recuou de 10% para 8%, e os indecisos passaram de 2% para 1%. O movimento reflete a nacionalização do debate econômico e a forte ofensiva de palanques regionais da oposição no interior do estado.
Metodologia dos levantamentos estaduais
As pesquisas estaduais foram realizadas pelo Datafolha entre os dias 8 e 10 de setembro. Em São Paulo, foram ouvidos 1.610 eleitores (margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95%, registro no TSE sob o número BR-03904/2026). Em Minas Gerais, o instituto entrevistou 1.204 eleitores de 16 anos ou mais (margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95%, registro BR-03022/2026). No Rio de Janeiro, foram 1.204 entrevistados (margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95%, registros RJ-09217/2026 e BR-06361/2026). Ambas as pesquisas estaduais foram contratadas pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
Expectativa para o novo termômetro nacional
A temperatura da corrida eleitoral ganhará novos contornos nesta quinta-feira, 17, quando o Datafolha divulgará um novo levantamento nacional. A pesquisa, que contará com 2.002 entrevistas realizadas presencialmente entre terça e quinta-feira, trará o impacto das últimas inserções de rádio e TV e dos debates mais recentes. Registrado sob rígidos critérios de amostragem e com margem de erro de dois pontos percentuais, o novo dado será o principal balizador para os ajustes de rota das campanhas antes da abertura das urnas.




