Polícia investiga fraude de R$ 3,5 milhões contra concessionária de Piracicaba
Operação Sócio Oculto apura negociações de 15 veículos em contratos públicos de outros municípios; até o momento, não há indícios de ligação do poder público de Piracicaba com o esquema.
Publicado em 28 de outubro de 2026, 15:21 — Em Piracicaba

A Polícia Civil deflagrou, na terça-feira (27), a Operação Sócio Oculto, que investiga uma suposta fraude empresarial responsável por causar prejuízo de aproximadamente R$ 3,5 milhões a uma concessionária de veículos de Piracicaba. A investigação envolve suspeitas de estelionato, associação criminosa e utilização de empresas registradas em nome de terceiros para participar de licitações públicas.
O delegado André de França Oliveira, um dos responsáveis pela investigação, esclareceu que, até o momento, não foram identificados elementos que indiquem ligação entre o poder público de Piracicaba e o empresário investigado. Os contratos públicos analisados envolvem outros municípios, enquanto a concessionária instalada na cidade figura como vítima do suposto esquema.
Entenda como funcionava o esquema investigado
As investigações começaram em fevereiro de 2026, após uma concessionária vinculada a uma tradicional fabricante francesa de automóveis comunicar à Polícia Civil um prejuízo milionário.
Segundo a apuração, a empresa havia contratado um empresário de 50 anos para intermediar a comercialização de veículos destinados a licitações e contratos administrativos realizados por órgãos públicos de diferentes municípios brasileiros.
O investigado teria utilizado empresas formalmente registradas em nome de terceiros para participar desses processos licitatórios. Após a obtenção dos contratos, 15 veículos foram retirados diretamente da montadora, cada um avaliado em aproximadamente R$ 230 mil.
Entretanto, os valores correspondentes às negociações não teriam sido repassados à fabricante. Como a concessionária de Piracicaba permanecia responsável pelas obrigações financeiras, acabou assumindo o prejuízo estimado em R$ 3,5 milhões.
A Polícia Civil reforça que, nesta fase da investigação, não há elementos que relacionem a Prefeitura de Piracicaba ou outros órgãos do poder público municipal às negociações investigadas. A apuração está concentrada na atuação do empresário e de possíveis envolvidos nas operações realizadas em outras cidades.
Empresas em nome de terceiros e possíveis irregularidades
Durante as diligências, os policiais identificaram indícios de que o empresário exerceria o controle de empresas registradas oficialmente em nome de outras pessoas.
Duas dessas empresas passaram por alterações societárias consideradas atípicas pouco mais de um mês após os fatos investigados. Pessoas próximas ao suspeito deixaram os quadros societários e foram substituídas por novos integrantes.
A Polícia Civil apura se essas mudanças tinham como objetivo dificultar a identificação dos responsáveis pelas negociações.
Os investigadores também identificaram que um apartamento alugado utilizado como residência pelo empresário e um veículo de alto valor usado por ele estavam formalmente registrados em nome de terceiros. A situação é analisada por sua possível relação com ocultação patrimonial.
Operação cumpriu mandados em São Paulo e Salto
A primeira fase da Operação Sócio Oculto contou com mandados de busca e apreensão cumpridos nos bairros Jardim São Paulo e Vila Palmeiras, na capital paulista, além do município de Salto.
Durante as diligências, foram apreendidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão analisados para esclarecer a movimentação dos recursos e identificar possíveis participantes do esquema.
A investigação também identificou registros anteriores envolvendo o empresário. Em 2021, ele já havia sido investigado por fatos semelhantes relacionados a outra concessionária da mesma fabricante.
No mesmo ano, um município da Bahia registrou ocorrência relatando que uma empresa ligada ao suspeito teria recebido aproximadamente R$ 500 mil para fornecer uma van que não foi entregue.
Investigação continua
A Operação Sócio Oculto permanece em sua primeira fase, com análise do material apreendido e aprofundamento das diligências para identificar eventuais coautores e beneficiários.
Até o momento, não foram informadas prisões relacionadas à operação.
A ação foi coordenada pelos delegados José Donizeti de Melo e André de França Oliveira, da Unidade de Polícia Judiciária Agrupada (UPJA) de Piracicaba.



