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Projeto de Erika Hilton que aumenta pena de quem desfigurar mulheres avança na Câmara dos Deputados

Projeto prevê punição maior para casos de mutilação e desfiguração de vítimas.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 14 de agosto de 2026, 16:51 — Em São Paulo

2 min de leitura
Projeto de Erika Hilton que aumenta pena de quem desfigurar mulheres avança na Câmara dos Deputados
Projeto de Erika Hilton que aumenta pena de quem desfigurar mulheres avança na Câmara dos Deputados

Uma proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que prevê o agravamento da pena para crimes dolosos contra mulheres que resultem em lesões, mutilações ou traumas no rosto e em outras partes do corpo avançou na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 5.110/2025 recebeu parecer favorável na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, sob relatoria de Célia Xakriabá, e posteriormente avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com relatório da deputada Laura Carneiro.

A proposta altera o Código Penal para considerar agravante agressões direcionadas à face, pescoço, cabeça, seios e genitália, além de condutas que provoquem traumas faciais. A intenção é ampliar a resposta penal diante de formas extremas de violência contra mulheres, especialmente quando a agressão busca provocar mutilação ou desfiguração.

Erika Hilton comemorou o avanço e afirmou que são recorrentes os casos em que feminicidas desfiguram as vítimas, numa demonstração de violência que, segundo a parlamentar, busca atingir não apenas o corpo, mas também a dignidade da mulher mesmo depois da morte.

O avanço da proposta ocorre em meio à atuação recente da deputada em outras frentes relacionadas ao combate à violência de gênero. Em 2026, Erika também apresentou o Projeto de Lei 665/2026, que institui a Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento ao Transfeminicídio, além de ter atuado como relatora de uma proposta que prevê medidas mais rigorosas para o descumprimento de medidas protetivas.

Na tramitação do PL 5.110/2025, Célia Xakriabá foi responsável pelo relatório na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, enquanto Laura Carneiro apresentou o parecer na CCJ. Erika Hilton agradeceu publicamente às duas deputadas pelo apoio e pela atuação que permitiu o avanço do texto nas comissões.

Agora, a proposta ainda precisa passar pelo Plenário da Câmara. Se aprovada, seguirá para análise do Senado Federal, onde poderá continuar sua tramitação antes de eventual transformação em lei.

O avanço do projeto reacende uma discussão necessária sobre até onde a legislação penal deve avançar diante de crimes de violência extrema contra mulheres. Para os defensores da medida, agressões que deixam marcas permanentes ou provocam mutilações exigem uma resposta proporcional à gravidade da violência. Por outro lado, qualquer mudança no Código Penal precisa ser analisada com critérios jurídicos claros, para evitar interpretações subjetivas e garantir segurança jurídica.

Mais do que discutir apenas o tamanho da pena, o debate envolve a capacidade do Estado de prevenir a violência antes que ela chegue ao extremo. Uma legislação mais rigorosa pode representar uma resposta importante, mas não substitui políticas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização efetiva dos agressores.

A discussão, portanto, não termina na aprovação de uma nova agravante penal. O verdadeiro desafio é fazer com que a proteção exista antes da violência, que a denúncia seja acolhida e que nenhuma mulher precise sobreviver à agressão ou ter sua dignidade violada até depois da morte para que o Estado reconheça a dimensão do problema.

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