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Valdemar admite plano de golpe e abre nova polêmica

Presidente do PL admite articulação política após o primeiro turno das eleições de 2026.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 8 de outubro de 2026, 16:26 — Em São Paulo

3 min de leitura
Valdemar admite plano de golpe e abre nova polêmica
Valdemar admite plano de golpe e abre nova polêmica

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7) que houve planejamento para uma ruptura institucional após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha.

Questionado diretamente se admite que houve um planejamento para um golpe de Estado no fim do governo Bolsonaro, Valdemar foi categórico:

Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois ‘que está errado’ e para no meio?
A fala representa uma admissão pública de que a possibilidade de uma ruptura foi objeto de planejamento naquele período. Valdemar, entretanto, procurou diferenciar a elaboração do plano de sua execução e sustentou que a articulação acabou interrompida. Em outra declaração durante a entrevista, resumiu a posição dizendo que houve discussão, mas que o golpe não chegou a ser concretizado.

Questionamento sobre Flávio expõe novo ponto de tensão

A entrevista ganhou outro contorno quando os jornalistas perguntaram ao presidente do PL se ele poderia garantir que uma articulação semelhante não voltaria a ser considerada em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência.

A resposta não trouxe uma garantia imediata.</b>

Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso, afirmou Valdemar.
Na sequência, porém, o dirigente tentou afastar a possibilidade de uma nova tentativa, argumentando que as consequências enfrentadas por Jair Bolsonaro serviriam como um alerta para qualquer grupo que cogitasse repetir o roteiro.

Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais, declarou.

</blockquote>A sequência de respostas chamou atenção justamente pela contradição: primeiro, Valdemar admite que um novo planejamento poderia existir; depois, afirma que uma nova tentativa jamais seria feita.

Uma declaração que recoloca 2022 no centro do debate</b>

As declarações ocorrem em um momento politicamente sensível. O debate sobre as ações realizadas após a eleição de 2022 continua presente na política brasileira, especialmente diante das decisões judiciais relacionadas à tentativa de ruptura institucional e aos atos de 8 de janeiro.</u>

Na entrevista, Valdemar também voltou a defender medidas de anistia para condenados pelos atos antidemocráticos. Segundo a cobertura da Rádio Gaúcha, o dirigente afirmou que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, a medida seria tomada rapidamente.

A questão, portanto, vai além de uma declaração isolada. Ao reconhecer que houve planejamento para um golpe e, ao mesmo tempo, admitir que não pode assegurar que planejamentos semelhantes jamais seriam discutidos novamente, Valdemar reabre uma discussão sobre os limites que devem ser impostos a projetos de poder quando o resultado das urnas contraria determinado grupo político.

O que significa planejar uma ruptura?

Existe uma diferença importante entre discutir uma possibilidade, elaborar um plano e efetivamente executá-lo. Mas, em uma democracia, a própria disposição de substituir o resultado de uma eleição por uma ruptura institucional levanta questões que ultrapassam a disputa entre partidos.

O reconhecimento feito por Valdemar também coloca um dilema para o debate público: até que ponto uma sociedade democrática deve considerar aceitável a elaboração de planos destinados a interromper um processo eleitoral legítimo mesmo quando esses planos não chegam a ser executados?

A resposta não depende apenas de posições partidárias. Ela envolve princípios básicos de funcionamento do Estado, como respeito ao voto, alternância de poder, independência entre as instituições e aceitação dos resultados eleitorais.

No fim, talvez a questão mais importante deixada pela entrevista não seja apenas se um golpe foi ou não executado em 2022. É saber quais mecanismos políticos e institucionais devem existir para impedir que a possibilidade de uma ruptura volte a ser tratada como uma alternativa diante de uma derrota nas urnas.

Em uma democracia, perder uma eleição significa deixar o poder. E a força de uma democracia pode ser medida justamente pela capacidade de seus atores políticos de aceitar esse resultado inclusive quando ele é contrário aos seus próprios interesses.

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