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Crise bancária derruba apoio e leva presidente do Paraguai à renúncia

Santiago Peña enfrenta pressão política após o colapso do Ueno Bank, instituição ligada ao grupo do qual já foi acionista, deixar milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocar questionamentos sobre a fiscalização financeira.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 5 de novembro de 2026, 14:57 — Em São Paulo

2 min de leitura
Crise bancária derruba apoio e leva presidente do Paraguai à renúncia
Crise bancária derruba apoio e leva presidente do Paraguai à renúncia

O que começou como uma crise no sistema bancário paraguaio rapidamente se transformou em um problema político de grandes proporções. Nesta quinta-feira (5), o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, após o agravamento da situação envolvendo o Ueno Bank e o avanço de articulações no Congresso para abertura de um processo de impeachment contra ele e seu vice, Pedro Alliana.

O fechamento da instituição financeira deixou milhões de clientes sem acesso imediato às próprias contas e provocou uma onda de questionamentos sobre a segurança dos depósitos e a atuação dos órgãos fiscalizadores. O episódio ganhou maior repercussão diante da ligação de Peña com o grupo empresarial responsável pelo controle do banco, do qual foi acionista.

A oposição passou a cobrar explicações sobre possíveis conflitos de interesses e a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição. Entre as suspeitas levantadas estão possíveis irregularidades na concessão de empréstimos e falhas nos mecanismos de controle financeiro. As denúncias passaram a ser investigadas pelas autoridades, enquanto a crise aumentava a pressão sobre o governo.

O caso também chamou atenção pelo volume de recursos públicos mantidos na instituição, estimado em aproximadamente US$ 850 milhões. A situação ampliou a preocupação para além dos correntistas, colocando em discussão a proteção do dinheiro público e a responsabilidade das autoridades na supervisão do sistema financeiro.

Diante da repercussão, parlamentares da oposição iniciaram a movimentação pelo impeachment, enquanto setores do próprio Partido Colorado demonstraram insatisfação com a condução da crise. Pressionado politicamente, Peña anunciou que deixaria a Presidência, alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional e a paz social. A formalização da renúncia, porém, depende dos procedimentos constitucionais no Congresso.

Aos 47 anos, Peña chegou ao poder em 2023, após derrotar Efraín Alegre nas eleições presidenciais. Economista formado no Paraguai, com passagem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), também comandou o Ministério da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes, entre 2015 e 2017. Filiado ao Partido Colorado, uma das forças políticas mais tradicionais do país, sua trajetória foi marcada pela atuação na área econômica antes de assumir a Presidência.

Agora, além da definição sobre a sucessão presidencial, o Paraguai enfrenta o desafio de esclarecer as circunstâncias que levaram ao colapso do banco e garantir que os clientes tenham seus recursos protegidos.

O episódio deixa uma questão importante para o debate público: até que ponto as relações entre interesses empresariais e poder político podem comprometer a confiança nas instituições? A renúncia de um presidente pode representar uma resposta à pressão popular, mas não substitui a investigação dos fatos nem a responsabilização de eventuais envolvidos. Em uma democracia, a credibilidade do governo depende não apenas de quem ocupa o poder, mas da transparência com que ele é exercido e da garantia de que o interesse coletivo esteja acima de qualquer vínculo privado.

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