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Ex-ministros do STF pressionam Fachin por investigação em meio à crise

Ex-ministros cobram apuração e resposta do Supremo.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 9 de setembro de 2026, 12:29 — Em São Paulo

3 min de leitura
Ex-ministros do STF pressionam Fachin por investigação em meio à crise
Ex-ministros do STF pressionam Fachin por investigação em meio à crise

A crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou, nesta segunda-feira (7), um novo e simbólico capítulo. Treze ex-ministros da Corte divulgaram uma carta dirigida ao presidente do tribunal, Edson Fachin, pedindo a convocação urgente do plenário para uma “imediata e rigorosa apuração” dos fatos que vêm abalando a credibilidade da instituição.

No documento, os antigos integrantes do STF classificam o atual momento como a “mais aguda crise” da história do tribunal e afirmam confiar que Fachin conduzirá uma resposta institucional diante da gravidade do cenário.</b>

A carta pede que a apuração ocorra sob o devido processo legal e alerta para os impactos da crise sobre a imagem do Supremo, a confiança da população e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história”, afirmam os signatários.

Os ex-ministros também dizem ter “absoluta convicção” de que Fachin convocará, com urgência, uma sessão pública do plenário para que a Corte determine a investigação dos “gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal”.

Assinam o documento Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.

A manifestação ocorre em meio aos desdobramentos da crise envolvendo integrantes do próprio Supremo e revelações surgidas a partir da investigação da Polícia Federal sobre o caso Master. Parte do material da investigação teve o sigilo retirado, trazendo a público mensagens atribuídas ao ex-controlador da instituição financeira Daniel Vorcaro e envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A carta dos ex-ministros não cita nomes ou casos específicos, mas foi divulgada justamente em meio ao agravamento da crise interna na Corte.

Em uma das mensagens reveladas, enviada três dias antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025, Vorcaro afirmou a Moraes que tinha uma “gratidão” pelo ministro e por sua família.

“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo”, escreveu Vorcaro.</b>

As revelações ampliaram a pressão sobre o STF e aprofundaram o debate sobre transparência, conduta e mecanismos de fiscalização dentro da mais alta Corte do país. O episódio também expôs divergências entre ministros e colocou Fachin no centro da busca por uma resposta institucional capaz de preservar a autoridade do tribunal.

A carta dos ex-ministros, portanto, vai além de uma simples manifestação de apoio ao atual presidente do Supremo. Ela representa uma cobrança pública por esclarecimentos em um momento em que a confiança nas instituições volta ao centro do debate nacional.

Mais do que descobrir eventuais responsabilidades individuais, a crise impõe ao STF um desafio maior: demonstrar à sociedade que nenhuma instituição pode exigir transparência dos demais Poderes sem estar disposta a aplicar o mesmo princípio sobre si própria. A forma como a Corte responderá a esse momento poderá definir não apenas os próximos capítulos da crise, mas também o nível de confiança da população em uma das instituições mais importantes da democracia brasileira.</u>

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