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Quaest alerta governo Lula com alta da desaprovação

Indicadores negativos aumentam pressão sobre o governo.

Amanda Mendes
Amanda Mendes

Publicado em 9 de setembro de 2026, 11:50 — Em São Paulo

2 min de leitura
Quaest alerta governo Lula com alta da desaprovação
Quaest alerta governo Lula com alta da desaprovação

A nova pesquisa Quaest divulgada na noite de segunda-feira (7) provocou preocupação entre aliados e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais do que o resultado isolado, a trajetória dos números passou a ser vista no Palácio do Planalto como um sinal de alerta para os desafios políticos que antecedem a disputa eleitoral de 2026.

O levantamento aponta que a desaprovação ao governo Lula chegou a 50%, enquanto a aprovação ficou em 43%. Desde julho, o cenário se deteriorou: naquele período, 47% aprovavam a gestão e 48% a desaprovavam.</b>

A mudança de tendência também chamou atenção porque atinge setores tradicionalmente estratégicos para o presidente. No Nordeste, região onde Lula historicamente concentra uma de suas maiores bases de apoio, a desaprovação avançou de 29% para 35% desde julho.

Entre os homens, o crescimento foi ainda mais expressivo, passando de 50% para 57%. Já entre os jovens, outro segmento considerado importante para a construção de uma candidatura competitiva em 2026, a rejeição ao governo subiu de 48% para 55%.</u>

O único movimento positivo relevante ocorreu entre as mulheres. Nesse grupo, a desaprovação recuou de 50% para 47%, oferecendo ao governo um dos poucos indicadores de melhora no levantamento.

Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, os números merecem atenção especial diante dos planos de Lula de buscar a reeleição. Segundo ele, o nível de aprovação de um governo costuma ser um dos principais fatores capazes de antecipar o desempenho eleitoral de um presidente.

O patamar de aprovação de um governo é um dos principais preditores de sucesso eleitoral. Neste nível de desaprovação, as chances de reeleição de Lula caem para menos de 50%, afirmou.</blockquote>Na avaliação de Nunes, parte do desgaste pode estar relacionada à situação financeira das famílias brasileiras. O período de queda na aprovação, entre julho e setembro, coincide, segundo ele, com um aumento nas reclamações sobre o endividamento.

“O período de piora da aprovação coincide com o intervalo em que mais brasileiros voltaram a reclamar de muitas dívidas”, explicou.

Nos bastidores do governo, porém, a preocupação não se limita à economia. Aliados de Lula também avaliam que o desgaste provocado pelas mensagens que revelaram uma relação próxima entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro pode ter contribuído para ampliar a pressão sobre a imagem do presidente.

O desafio do governo, agora, será entender se os números representam uma oscilação momentânea ou o início de uma tendência mais profunda. Em uma democracia, pesquisas de opinião não apenas medem a popularidade de um governo, elas também revelam expectativas, frustrações e cobranças da sociedade.</b>

A questão que se impõe para o debate público é: o governo conseguirá responder às preocupações econômicas e políticas da população a tempo de recuperar a confiança perdida? Mais do que uma disputa por percentuais, os próximos meses devem mostrar se Lula será capaz de transformar os sinais de insatisfação em mudanças concretas capazes de dialogar com as demandas dos brasileiros.

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