Bispos católicos divulgam carta aberta e alertam para riscos à democracia no segundo turno
Documento reúne críticas a propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro e reacende debate sobre soberania nacional, direitos trabalhistas e crise climática
Publicado em 23 de outubro de 2026, 17:39 — Em São Paulo

Uma manifestação assinada por bispos católicos de diferentes regiões do Brasil colocou no centro do debate eleitoral questões relacionadas à democracia, à soberania nacional e à responsabilidade social. Em carta aberta sobre o segundo turno das eleições, os religiosos expressam preocupação com a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), apontando posições que, na avaliação do grupo, representam ameaças a princípios fundamentais da vida democrática.
Embora não mencione diretamente o nome do candidato, o documento apresenta críticas a propostas e posicionamentos que os signatários associam à sua atuação política. Entre os principais pontos estão a resistência ao fim da escala de trabalho 6x1, a aproximação com os Estados Unidos em condições descritas como de submissão, a defesa da ampliação do acesso a armas e a falta de reconhecimento da gravidade da crise climática.
Na avaliação dos bispos, esse conjunto de posições representa um risco que ultrapassa a disputa entre candidatos. A carta afirma que a candidatura de Flávio Bolsonaro “ameaça frontalmente a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”.
Até a tarde de quinta-feira (22), 35 bispos haviam aderido à manifestação. O documento permanece aberto a novas assinaturas, indicando que o posicionamento ainda pode reunir outros representantes do episcopado brasileiro.
A iniciativa insere temas sociais, ambientais e institucionais no debate eleitoral e evidencia a participação de setores religiosos na discussão sobre os rumos políticos do país. Ao mesmo tempo, levanta questões sobre o papel das lideranças religiosas na esfera pública e sobre a influência de valores éticos na avaliação de projetos políticos.
Mais do que uma manifestação de apoio ou oposição a uma candidatura, a carta convida a sociedade a refletir sobre os critérios que devem orientar as escolhas eleitorais. A defesa da democracia, a garantia de direitos, a autonomia nacional e o enfrentamento dos desafios ambientais são questões que afetam diretamente a vida coletiva e exigem discussão pública fundamentada.
O desafio democrático, portanto, não se limita à escolha de quem ocupará o poder, mas envolve também a capacidade de avaliar propostas, confrontar argumentos e cobrar compromissos concretos de quem pretende governar. Em um ambiente político marcado por divergências, permanece a questão central: como transformar diferenças ideológicas em um debate público responsável, no qual a dignidade humana, o interesse coletivo e o respeito às instituições sejam referências permanentes?



